Endodontia

Cães e gatos são mais parecidos conosco do que imaginamos! Por exemplo, eles também fazem canal de dente, aquele procedimento tão temido em nossas idas ao dentista. E, assim como na odontologia humana, a área que vai tomar conta disso é a endodontia. 

A medicina veterinária tem mostrado que, ao contrário do senso comum, pets precisam de cuidados na saúde bucal e podem sofrer problemas muito parecidos com os humanos. Nessa postagem vamos entender um pouco mais das questões que afetam nossos amigos peludos.

Endo… o quê?

Os dentes também têm um coração. Ou melhor, é quase isso: eles possuem a polpa, uma parte vital por onde passam vasos sanguíneos e nervos, e que cumpre funções essenciais. É pela atividade da polpa que os dentes se desenvolvem, se nutrem e são capazes de ter sensibilidade.

A endodontia cuida justamente dessa área, que abrange a polpa e os tecidos internos dos dentes. Ela trata de estruturas vizinhas também, como a dentina, uma parte mais dura que envolve a polpa e tem com ela íntima ligação. A dentina constitui a maior porção do dente e é protegida pelo esmalte, que é sua camada mais externa e visível.

Assim, o objetivo dessa especialidade é proteger o dente e suas estruturas mais vitais. Mas o que meu gato tem a ver com isso? E meu cachorro? Bem, a resposta está bem aqui abaixo.

Principais problemas dentais que atingem os pets

Animais domésticos podem sofrer uma série de lesões que serão tratadas pela endodontia.

As fraturas ou dentes quebrados são o principal problema. Elas podem ser graves, com exposição da polpa, o que gera muita dor e desconforto. Nesse caso, se não forem tratadas, causam danos sérios aos dentes e ao organismo, pois a infecção pode se espalhar para todo organismo.. 

O dente também pode se quebrar de forma superficial, com exposição da dentina. Quando isso ocorre há a presença de dor e sensibilidade.

Outros danos aos dentes no animal incluem:

  • desgaste por abrasão, como morder materiais muito duros ou abrasivos (coco, pedras, bolas de tenis, objetos de nylon, pêlos, etc)
  • desgaste por atrito, quando existe alguma má oclusão ou mau posicionamento e os dentes ficam batendo uns em cima dos outros.
  • escurecimento de dentes por conta de lesões internas;
  • lesões dentárias reabsortivas, cáries;
  • lesões causadas durante os próprios procedimentos odontológicos, pelo uso inadequado de equipamentos que causam aquecimento excessivo nos dentes, levando a necrose.

Uma lesão reabsortiva importante é a popularmente chamada de “cárie felina”. Essa é uma condição muito dolorosa e que afeta entre 30 e 67% dos gatos, sendo mais rara em cães. A lesão é progressiva e atinge os dentes permanentes, causando sua destruição até as raízes.

Diagnóstico Odontológico

Como nossos pets são muito espertos, mas ainda não são capazes de falar, devemos estar atentos a alguns sinais que indiquem dor e desconforto. Animais que salivam muito, evitam comer ou comem apenas de um lado podem ter lesões endodônticas. 

Mudança de cor de dentes ou feridas e inchaço na face também devem ser levados em conta.

Outros fatores de alerta podem ser mais inusitados: cães e gatos que se lambem com muita frequência ou espirram o tempo todo precisam ser monitorados. 

O diagnóstico completo é, como sempre, feito apenas pelo veterinário dentista. Exames adicionais como radiografias e uso de sedação ou anestesia geral podem ser necessários.

Tratamentos Endodônticos

O objetivo principal costuma ser conservar o dente e evitar extrações. O veterinário na endodontia tentará sempre salvar o dente do bichinho. Algumas medidas possíveis são:

Tratamento de canal convencional 

É o procedimento mais comum e deve ser feito em dentes maduros. Nele, a polpa infectada  é removida completamente, preservando a estrutura. O espaço vazio é então lavado, desinfetado e preenchido por um material que irá selar (obturar) o canal, evitando novas infecções. Por fim, o dente é restaurado.

Pulpotomia

Em casos de dentes que ainda não se desenvolveram por completo, a polpa pode ser removida apenas parcialmente, na altura da porção visível dos dentes (coroa). Isso permite que as raízes continuem a crescer. 

Capeamento pulpar direto e indireto

Nesse procedimento, aplica-se um material diretamente sobre a polpa, removendo uma porção mínima, para preservar a vitalidade do dente. No capeamento pulpar indireto, por sua vez, a lesão ainda não atingiu a polpa e o material é aplicado na camada exterior, a dentina, para induzir o reparo. No fim, o dente também é restaurado.

Cirurgia endodôntica

Em casos mais graves ou quando os outros procedimentos não tiveram sucesso, é preciso remover a ponta das raízes do dente, chamada de ápice (apicectomia). Antes disso o canal também é limpo e desinfectado. O dente é obturado e restaurado.

Saúde bucal é tudo!

A endodontia trata do coração dos dentes e, por consequência, ajuda no bom funcionamento de todo o organismo. O bem estar dos pets tem uma relação muito íntima com sua saúde bucal. 

O acompanhamento dos dentinhos e seus anexos deve fazer parte da agenda para garantir a felicidade dos nossos amigos de quatro patas. Ele não pode ser deixado de lado. 

A prevenção é a maior aliada, mas quando isso não é mais possível, há ótimas alternativas de tratamento endodôntico. Importante mesmo é estar com a saúde em dia.

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